31/03/2017

Quer ser feliz?

Não é de impressionar como o mundo não te compreende? Já percebeu como as pessoas não podem aceitar a felicidade de um cristão? Ouvir que Cristo e tua fé nEle te bastam, é demais pra sua compreensão! 
Você está por aí, levando sua vidinha na boa, vendo um bocado de sofrimento, rodeada de gente reclamando da vida, e você, mesmo tendo tantos ou até mesmo, mais problemas do que os que estão a sua volta, continua com tua fé inabalável e de boca fechada, suportando e aceitando os acontecimentos, confiando em Deus. Feliz, mesmo estando triste. Em paz, mesmo tendo uma vida conturbada. Contente, mesmo estando doente.
Algumas pessoas te olham curiosas, tentando descobrir onde está aquele botãozinho que acionará a tua tristeza novamente, para chamar de volta aquela pessoa que elas conheciam antes da tua conversão. Elas parecem viver ansiosas pelo dia em que encontrarão com o teu "eu" tristonho e deprimente de antes, e assim elas poderão "te ajudar", mostrarem-se como boas samaritanas, e te dizer: eu te avisei! 
Mas o fato é que elas não conseguem mais encontrar a pessoa que você foi, porque você deixou de ser o que era, mesmo ainda sendo a mesma, mesmo ainda cometendo tantos erros. Porém, deixou de ser a rabugenta de sempre, a reclamona, a piriguete, a deprimida, a chorona, a maquiavélica, a fofoqueira, ou sei lá mais o que você costumava ser. Hoje, algo muito maior e mais importante, permeia a tua vida, os teus pensamentos, o teu dormir e levantar: Cristo, que te renova a cada dia e te faz completa!

Aceitar que você é feliz, sem uma tao aparente razão, é muito duro para os infelizes, sabe? Você não ficou rica, não arrumou um maravilhoso namorado, não fez aquela viagem incrível, continua doente, foi deixada pelo marido, e continua no mesmo empreguinho vagabundo de sempre, mas você anda tao radiante!! De onde vem toda essa luz, todos esses sorrisos, esse semblante agradável, essa quase música que se faz ouvir quando você passa? perguntam-se todos. 
- É Cristo!, você responde, e eles dão de lado, contorcem a boca, dão risinhos debochados. "Ninguém muda assim do dia pra noite". "Deixa eu te levar num bar pra ver se tu não volta a ser quem tu era!"  "Não te dou um mês pra tu se arrepender e voltar pra rua e esquecer esse papo de Jesus!" Diz um ou outro. 

Entenda o quão duro isso é pra eles, que não "viram" o  que você "viu". A vida deles continua a mesma, a tua não, mesmo que externamente, pouca coisa tenha mudado! Mas você sabe exatamente o que te aconteceu, percebe uma mudança tao profunda no teu interior, que não há possibilidade de comparacao, de explicacao. Bem, você até tenta contar o que Deus fez em você, mas eles não querem e na verdade, não podem ouvir, nem entenderão..  É duro para eles, irmã, é duro! E será difícil para você também. Alguns se distanciarão de você, chegarão até a te xingar de orgulhosa, de arrogante, de se fazer melhor que os outros, agora, que encontrou o teu "nirvana"... É por isso que algumas vezes, uns demonstram inveja. Outros, raiva. Outros, ciúme. Outros simplesmente te desprezam, te tratam como escória, como mais uma imbecil do reino da cruz. 
A verdade é que as pessoas estão confusas e algo no interior delas está com bastante raiva, porque te perderam. Sim, elas sabem que a velha pessoa que você era, não voltará. Essas pessoas tentarão de tudo pra você reconhecer que elas é que tem razão, e que você está delirando, que é melhor ir ao médico delas, fazer terapia como elas fazem, insistirão discretamente que você nao é feliz assim como pensa, tentarão te fazer voltar a beber como antes, ou reatar com aquele antigo namorado, ou para aquela antiga religião a qual você  ia, semearão dúvidas em você sobre tua fé... elas querem se ver melhor que você, querem se ver a si mesmas, como sua salvadora. 
Mas nós bem sabemos quem é o Salvador da nossa história, não é mesmo?!

* * *

E se você não tem ainda essa paz, que excede todo o entendimento, essa alegria, essa tranquilidade, te faço um desafio: tente encontrar a felicidade onde você está, seja na sua vida de sempre, nos livros, numa religião, num guru, numa meditacao, em jogos, na academia, numa viagem, numa gravidez, na repeticao de mantras, num novo casamento, tente até você não aguentar mais... eu sei que esse dia vai chegar, porque chegou pra mim e para muitos nascidos de novo. Somos todos parecidos, buscamos a felicidade na ilusao desse mundo. Até o dia em que algo sobrenatural acontece, e você é tocado pelo Espírito Santo de Deus. Aí sim, você entenderá o que houve com aquela tua amiga. E saberá que só há felicidade e paz real, em Jesus Cristo!

"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;  Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus". Rom. 5:1-2
Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
Ro

09/03/2017

Decorar o que é meu

Sempre que chego em um hotel, fico deslumbrada com a decoracao (quando é o caso, obviamente!). É tudo tao simples! Admiro as formas retas, as persianas, as cores claras e calmas, a roupa de cama sempre branca e tao bem arrumada, o banheiro limpo, a falta de poeira. O pouco. Fica tudo tao bonito! Daí, abro a porta de casa depois da viagem, e me deparo com um lar  cheio de tralhas. Chego quase a ter uma "depressao pós-hotel", se isso existisse. Entao, comeca a me dar um comichao nas pernas e maos e fico pra lá e pra cá, tentanto pensar numa maneira de diminuir a quantidade de informacao no lugar. 
Penso, repenso, elaboro, faco imagens da bagunca na cabeca e na máquina, e no fim, percebo frustrada, que nao tem pra onde correr. Nao tenho lugar pra jogar fora e/ou esconder todo o excesso de coisas acumuladas por toda uma vida de quase onze anos! (o tempo que moro neste país). Aí, me jogo no chao, dramaticamente, enquanto percebo o subir da poeira em volta. Olho pra baixo do móvel onde um poeirao se acumulou de tal forma que mais parece um ratinho e quero chorar. Pior ainda fico, se entre uma pensada e outra, olho para as imagens quase surreais do Pinterest. Como eles conseguem deixar aquilo daquele jeito tao, tao, tao simples, compacto, limpo visualmente e elegante? Tao bonito que chega a dar raiva!
Decido sonhadora, que quero ser minimalista na minha decor, assim como quase sou, quando me visto. Mas, ainda jogada como um trapo velho no chao manchado de respingos da última pintura da parede, ou do iogurte derramado pelo filho, olho minhas paredes em volta quase todas com uma cor diferente da outra e penso que nem pareço a mesma pessoa que decorou aquela casa: é que me visto de forma mais discreta, nem  de estampas gosto, nem de cores berrantes, nem tampouco bijoux em excesso. Ouso muito pouco no vestir. Mas as paredes da minha casa sao coloridas e cheias de coisinhas! Há algum distúrbio em mim...
Levanto do chao e tomo um café. Olho em volta, e penso naquele hotelzinho onde estive semana passada. Tinha toda a elegância que eu admiro, mas que nunca me fez sentir realmente bem. Internamente, sei que sou uma pessoa simples e que nunca teve fascínio pelo extremamente sofisticado. Nao nasci, definitivamente, pra ser rica ou madame! 
Ainda degustando meu café, olho de relance à minha frente, onde um espelho comprado numa feira de usados na Bélgica, reflete minha cara de decepcao, os quadros acima do sofá, desalinhados, colocados por mim, com meus olhos tortos, mostram fotos que meu marido fez nas nossas viagens e algumas,  quando estivemos no Amazonas, contemplando o mais belo por do sol do planeta! Meus filhos estao sorrindo e me olhando num porta retrato que comprei na França, as cortinas de renda baratinhas da Ikea,  emolduram a janela de vidro que dá pra varanda, onde tulipas, comecam a surgir no fim do inverno, na varanda ainda muito fria, mas com possibilidade de sol a partir de amanha. Na prateleira da sala de jantar, um simpático e antigo bule de cobre, meu metal preferido, que veio de Portugal, tem em vez de chá ou café, uma plantinha dentro. O puff de couro amarelo, que paguei um preço ótimo numa feira em Marrakech,  parece que sorri pra mim, perto do sofá cinza, que todo mundo estranha. "Ja, grau! Warum nicht?" (Cinza, por que nao?). Vou até a cozinha pegar um biscoito pra acompanhar meu café, e vejo um quadrinho trazido do Rio, com a imagem do Pao de Açúcar, pertinho de um outro, decoracado com os típicos azulejos de Lisboa, onde se lê a delicada frase: Cozinha da Mamae. E de repente, aquele mundo de cores e penduricalhos, aquecem de ternura meu coracao. 
Volto a sala e olho o quadro que uma grande amiga pintou para mim, trazendo as cores predominantes do ambiente, que é verdade, nao é exatamente como eu gostaria, mas que conta tanto de mim e da minha família... Como nao amar tudo isso? Paro de pensar e comparar, e rio pensando no hotel. Aqui nesta casa, temos histórias! Um hotel nao as tem! Por isso ele é tao vazio, tao branco e tao estéril. 
Esse é o meu lar! A casa que decorei com amor, juntando pequenos pedacos, remendando aqui ou ali. Formando uma colcha de retalhos, que vai ficando mais bonita e macia, a cada lavagem.

Acabo meu café e ligo o computador. Me deparo com este texto inteligente no site dcoracao.com. 
Era o que faltava pra eu aceitar meu jeito destrambelhado e amoroso pra decorar o que é meu...

16/02/2017

A mentira que nos alimenta

Com a vida que temos hoje, totalmente plugada, nossa vaidade alcançou em extremo, imagino eu, o nosso mais profundo desejo: o de aparecer, o desejo de virar celebridade, de deixarmos de ser um zero à esquerda!
Hoje, qualquer um pode ser quem e como quiser, pelo menos, enquanto estiver atrás da tela do computador ou do smartphone. Qualquer Zé Mané pode ficar deslumbrante, ou quase, se souber virar a câmara deste último para fazer zilhoes de selfies, tentando a pose perfeita, até que um dos selfies, fará da pessoa, um tiquinho menos feia, e é essa foto "mentirosa" que será publicada! E em negrito, com os insuportáveis "hashtags": "no filter"
Ahan! Quer enganar quem, Manezinho?!
Tudo é um verdadeiro jogo de mentiras!
Outro dia ouvi um "novo" (pelo menos pra mim) conceito: pós verdade! Num mundo onde o diabo é chamado o pai da mentira na Bíblia, faz todo sentido dizer, que o conceito da palavra do ano de 2016, é uma preconizacao da mentira.
É notória a percepcao de que esse mundo está caminhando a passos largos para um lugar muito estranho. E só nao vê, quem nao quer! Mentem para nós o tempo todo e nos enganamos a nós mesmos constantemente! Estamos num momento de nossas vidas, que já nao sabemos se, o que estamos fazendo, é certo ou errado. Tentando ser politicamente corretos, acabamos agredindo a nós mesmos e às nossas crencas apreendidas de um tempo em que pais e avós tinham valor. Nem mesmo com nossos próprios filhos podemos falar grosso! Andamos na rua com medo de o vizinho nos ver olhando de cara feia pra nossas criancas. E nossos próprios filhos ameacam  chamar a polícia ou o juizado de menor, se gritamos ou lhes damos umas chineladas. Nada do que pensávamos ser verdade, hoje é. Nao confiamos mais no que comemos ou bebemos, demonizamos o sol e nos entupimos de protetor solar, que na verdade, é mais prejudicial à saúde, que o temido e na verdade, saudável, sol de meio dia! O aquecimento global, talvez seja todo, um enorme embuste, uma vez que, o que derrete, congela novamente. O leite que antes era fundamental, hoje é vilao! As vacinas são duvidosas. As verduras sao cheias de pesticidas, herbicidas, insetidas; as frutas sao lindas por fora, mas horríveis, se pudéssemos ver "realmente", por dentro. Até o sabor é alterado!

Ninguém mais perde tempo cozinhando, e estamos mais gordos e doentes por isso. As escolas antes eram lugares confiáveis pra deixarmos nossos filhos, hoje, com tanta gente descontrolada... E ainda tem os banheiros com  meninos-homens que "se sentem" meninas-mulheres! Como nao temer que nossas criancas sejam assediadas por pessoas com segundas intencoes? Nao podemos deixar de curtir uma foto de uma amiga, e nem elogiá-la até o ponto de  esgotarem palavras, por que vamos ferir seus sentimentos e ela vai desfazer a "amizade"e te bloquear no facebook.
Passamos mais tempo fotografando, trocando os mil filtros de mil fotos e fazendo videozinhos dos nossos filhos, para provarmos on line, como somos bons pais, em alguma mídia "social" do que brincando e/ou educando nossos próprios filhos! Nao podemos mais confiar nas manchetes de jornais, nas páginas compartilhadas na internet, porque sao na maioria, mentirosas ou alteradas. Nao confiamos nas falas dos políticos, na polícia, nem nos ladroes (antigamente, tinha ladrao de confianca!). As "igrejas"viraram templos de Baal, só querem nosso dinheiro, e nós, de retorno, só queremos mais dinheiro! O apego a este último,  tomou conta de toda a geracao As pessoas nao tem mais tempo pra nada e muito menos, paciência. Todo mundo estoura com todo mundo o tempo todo, e quando pode, atira pra matar. A morte em cada esquina virou algo banal, assim como banal se tornou a vida miserável de alguém:
- E aí? Tudo bem?
-  Ah, cara, na verdade nao! A minha vida está um caos, minha mae está com câncer, meu pai morreu atropelado por um bêbado, e eu to indo amanhã operar meus joelhos.
- Ah, que coisa, chata, heim? Beleza!  Aparece lá em casa qualquer dia desses! Tchau, hein cara! Valeu!
Ninguém escuta mais ninguém realmente! Ninguém!!! Todos só ouvem o som da própria voz, olham somente para seu umbigo e a solidao só aumenta! Nos tornamos uma sociedade absurdamente egoísta e insensível ao outro, mesmo nos autodenominando, politicamente corretos! Já não lemos livros, nem jornais, só postagens do facebook e twitter, e somente quando curtas, se longas demais, damos uma clicada na setinha de retornar pra vermos mais selfies daquela guria feia  e escrever, mentindo: Linda!
Até para videos somos impacientes: se tiverem mais de 4 minutos, nao assistimos. A vida, que antes parecia ser em câmara lenta, hoje está visivemente acelerada, como nos filmes preto e branco de Chaplin. É isso! Tudo muito rápido e mudo, mesmo que todo mundo esteja gritando.
Tudo tem que ser resolvido rapidamente. Já nao temos tempo nem paciência de esperar. Se tem alguém doente, com depressao, por exemplo, ele tem que fazer logo algo pra sair disso. Se nao, a culpa é dele! O computador demora demais a ligar, em vez de esperarmos calmamente, vamos logo respondendo pelo celular. Se alguém nao responde rapidamente a mensagem no Whats App, temos logo que mandar mais uma mensagem,  mas a pessoa já acionou o botao de nao deixar o outro saber que leu sim, a mensagem, e que sua intencao é nos fazer de tolos. Ou de se fazer passar por ocupado demais...
Que coisa! Tudo é uma mentira!
Quando nos sentamos num resturante, nao ficamos mais olhando o ambiente ou conversando, mas sentamos com nossos celulares em punho e sorrimos para eles. Os selfies entao! Nao há mais paisagem sem o carão do dono do celular na frente: a coisa está ficando doentia demais! 

Nós somos uma sociedade loucamente doente!
E se você é um romântico inveterado, que só pensa positivo, e que acha que tudo vai mudar pra melhor, continue sendo! Na verdade, isso nao vai importar para ninguém, porque ninguém nesse mundo doente e globalizado e conectado, se importa realmente com você mesmo...


Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Romanos 1:25

* * *

Desculpa o texto pesado. Tava engasgado.



29/01/2017

Quando penso em voltar ao Brasil...

Há alguns anos, uma tia-avó do meu marido, de 94 anos, nascida na República Checa e que veio morar na Alemanha ainda muito jovem, me perguntou se eu sentia saudade do Brasil. Ao ouvir minha resposta negativa, ela só se ateve a falar: espere, com o tempo a saudade virá. 
Nao dei importância ao que ela disse, e até mesmo dei uma risadinha quase arrogante: "ela nao conhece o meu país!".
Até anteontem, esse tempo ainda nao havia chegado. Mas ontem, finalmente, ele veio.

Muito provavelmente, estou escrevendo sob efeito dos hormônios, que me deixam meio que fora do meu normal, todo santo mês. "Mulher é bicho esquisito", como diria Rita Lee, "todo mês sangra". Sangramos na alma também, em alguns desses meses...

Sempre disse a mim mesma que nao queria ser como muita gente que já encontrei aqui, infeliz por morar longe do país em que nasceu, falando mal da Alemanha por anos. Sempre enchi a boca pra falar "se está infeliz, porque nao volta?", como tantos outros dizem. Mas sabe? Falar isso é muito fácil! Há um ditado mais ou menos assim: você nao pode falar da vida de ninguém, a nao ser que calce os mesmos sapatos e ande o percurso que esse alguém faz todo dia. 
Nao sabemos porque alguém permanece aqui, mesmo sendo infeliz. Há certamente, várias razoes para isso. Eu fiquei até agora neste país, porque sempre me senti muitíssimo bem, e continuo me sentindo, mas ontem, quando a vontade de voltar realmente ao Brasil, pela primeira vez em quase onze anos, se acercou de mim, percebi que nao poderia voltar! Nao sou somente eu quem decide algo assim. Sou casada e tenho um filho pequeno que nasceu aqui, e entendo que nao poderia nunca decidir algo tao importante como isso, sozinha. "Sozinha", assim como decidi  quando vim para cá. 
Ontem me vi num beco sem saída. E lembrei das decisoes que tomamos na vida, tao cheios de certezas, e que um dia, certamente, nos arrependeremos.
Sair do seu país é uma coisa extremamente complicada. Voltar, é ainda mais. Acredite!

Nos sentimos estrangeiros, aqui e lá. Nao fazemos parte realmente de nenhum dos dois lugares. É bonito e chique para alguns,  falar que somos cidadaos do mundo. Mas essa realidade, é na verdade, triste. Se adaptar a qualquer lugar é legal, mas nos faz desligados de elos que antes, nos eram importantes. Perdemos o elo com a família, por exemplo. Eles vivem coisas que nao vemos, riem e choram, e nós só somos informados depois, e o que dizemos é sempre ouvido mais tarde, quando o riso e o choro já passaram. Nos sentimos perdendo a importância. Devagar, vamos sendo esquecidos, é como quando alguém morre. Morremos todos aos poucos... enquanto eles que ficaram, vao levando suas vidas como sempre a levaram, e vao nos esquecendo. "- Ah que dramática, tu és, Nina Rosa! Isso acontece com todo mundo", você diria. 
Nao! É diferente! 
Aqui estamos sozinhos, você aí, ficou com o resto do que antes, era nosso também. A mae continua morando perto de você, você ainda vai comprar uns paes na padaria, ela ainda vai fazer o café da tarde e voces irao receber aquela amiga, que mora perto e que nem precisa marcar na agenda de ir a casa de vocês. As irmas vao fazer compras juntas no natal, vao reunir num domingo para fazer um churrasco, vao viajar juntas à praia quando o salário der, vao fazer fotos de festinhas com amigas, vao encontrar uma prima que mora no outro estado, vao tomar banho de piscina/mar/rio, assar um peixe, vao passear de barco e tomar uma cervejinha e postar fotos com seus belos sorrisos no facebook, vao encontrar por acaso, no shopping aquela nossa amiga de infância e vao conversar tomando um cafezinho com pao de queijo, enquanto seus filhos brincam no playground.
Aqui, nós estamos sozinhos! Olhando o tempo passar entre paredes frias, com um céu cinza e sem sol, tomando chá para se aquecer e talvez, chorando ou resmungando de saudade. Coisa que nunca nos acometeu antes. E você lendo isso, nao vai entender nada, ou talvez, ria de mim dizendo: Toma-lhe! Quem mandou ir embora, sua metida?! 
E você vai lembrar de quantas vezes, sentiu inveja da nossa vida aqui, viajando para lá e para cá, fazendo fotos de museus, praias, cidades e lugares lindos, mostrando em fotos, que você olha meio de lado, aquela torre, aquela ponte, o castelo antigo, a cor da areia no deserto, a brancura da neve, o nascer das flores na primavera, sem saber que, quase sempre, há inverno em nós... 

Sabe de uma coisa? Você NUNCA deveria sentir inveja de nós! Nós é que sentimos saudade do que você vive! Mesmo que ao voltar em visita, notemos: eles estao vivendo do mesmíssimo jeito que eu os deixei! 
Sério! Acredite: nós sentimos falta disso, dessa mesmice, mesmo que ela nos pareça melancólica!
Sentimos falta  do sonho que vivíamos todo dia: um dia vou embora do Brasil! Agora, que finalmente estamos aqui, queremos voltar, mas, sabe? Nao dá! Agora nao... nós nos perdemos, realizamos tudo o que queríamos, o sonho aconteceu, e agora?

Uma das coisas boas de ter uma vida com Deus, e se sentir nas Suas maos e sob Seus cuidados, 100%, é que, na hora em que precisarmos realmente, tomar decisoes importantes, sabemos que já nao decidimos sozinhos, e descobrir que isso é bom. 
E que na verdade, mais do que estrangeiros, somos peregrinos...
Eu nao sei, sinceramente,como alguém que nao vive com o Senhor, se sente quando esse momentos de saudade chegam...

Eu sei que já estou recomposta, agora que cheguei ao fim do texto. Escrever longamente tem suas vantagens... Olhei agora para o céu, e ele se tornou azul.
É Ele quem cuida de mim e dos meus sentimentos, e me recoloca no meu lugar. Gracas a Deus por isso.
Menos um dia...

* * *
ps. Nao generalizo quando escrevo "nós". 
Nao estou falando de você que se sente maravilhosamente bem no estrangeiro. 
Eu tbm me sinto...  Isso foi só um desabafo.
;-)

26/01/2017

João e Maria

Ele chegou como sempre, todo serelepe no portão de casa, gritando o nosso nome. Os nomes das três meninas da casa. Saímos todas ao mesmo tempo. Ele tinha chegado das férias!

Como é duro quando os amigos viajam e a gente não, e como eles demoram a chegar! A rua C ficava vazia, o eco era ouvido no fim da rua, e o som era de saudade. Nada tinha muita graça sem os melhores amigos por perto. Mas ele chegou! E como sempre, cheio de novidades. O cabelo levemente ondulado, os olhos vivos e puxados,  a boca cheia de dentes (sempre me pareceu ter mais dentes que o normal), vestido com sua indefectível camisetinha regata, lá estava ele, mostrando a pele magrinha, bronzeada da praia, cheirando a mar e vibrando nas histórias que tinha para contar. Histórias de longe, que nos deixavam com a imaginação ativa, viajando pelo menos, poeticamente e  dentro da possibilidade, das palavras de Buarque. 

Nunca tínhamos saído de Manaus e o mais longe que já tínhamos ido, fora até o Planeta dos Macacos! Um bairro muito longe, quase que no interior do estado, onde havia uma casinha de madeira e telhado de palha, e que uma tia distante, morava. Bairro que às cinco e meia da tarde, por incrível que pareça, quando o sol começava a baixar no horizonte, sentíamos até um pouco de frio, na quente Manaus! Casa  que tinha um monte de árvore no quintal, e onde até hoje me lembro, ficávamos as crianças, na varanda de madeira, ralando macaxeira para fazer bolo.

Estávamos agora, em frente a sua casa, sentados no murinho baixo, de costas para o jardim que sua mãe com tanto zelo mantinha, olhando para ele que nos ensinava uma cancão. Repetia a fim de nos ensinar, sem parar, aquele conjunto de palavras melodiosas, tao apaixonadamente, que nos fez amar  João e Maria, na hora! "Agora eu herói, e meu cavalo só falava inglês. A noiva do cowboy era você além das outras três..."
Nosso amigo conheceu a cancão, no Rio de Janeiro, cidade que para nós, era proibida, não só financeiramente, pois nossa mãe nunca poderia pagar a Varig para carregar com suas asas, cinco filhos; mas também, porque ali moravam as "filhas malvadas do nosso padrasto" e temíamos o Rio com um medo velado e confuso. 

Mas ouvi-lo cantar com aquela alegria e motivacao que só vinha dele, só para aprendermos e cantarmos juntos, nos fazia a todos, naquele instante meio mágico da minha memória, pessoinhas especiais. Era como se estivéssemos num cenário de filme, porém, num tempo de fadas e príncipes, quando não havia vilões, quando não entendíamos de verdade, o que a música e o tempo daquele tempo, realmente simbolizavam. Éramos apenas crianças simples, alegres e saudáveis, e que entendiam de amizade e companheirismo.
Morávamos no Amazonas, onde tudo parecia distante do resto do país, que fervilhava nessa época.  Éramos filhos de militares nos anos 80, sabíamos bater continência, marchar, conhecíamos todos os hinos nacionais, e tínhamos o CIGS, o zoológico mais legal, dentro do quartel, praticamente  no nosso quintal. E tínhamos mangueiras e ladeiras, as mais incríveis, para descer de patins e bicicletas, e agora, pois bem, tínhamos também, João e Maria, na voz do Macedinho. O menino mais simpático e delicado, que eu já havia conhecido!

Ele que me levou para conhecer a lagoa azul, onde moravam nossas sereias imaginárias; ele que me incentivou a usar garfo e faca ao comer, mesmo sem querer; ele que me ensinou a cantar: "esta noite eu tive um sonho, um sonho muito belo, sonhei que estava no Sitio do Picapau Amarelo, numa casa toda branca entre o ribeirão e o mato, encontrei os personagens da história de Lobato..." ele, que me deu uma cartinha de despedida, dizendo que eu não era como as outras meninas fedidas, e que até hoje, guardo comigo. Há mais de 34 anos!

Ele, a quem sempre serei grata por ter feito parte da minha doce infância.  
Meu doce amigo, Macedinho.



A canção nos acompanhou por muitos anos. Minhas irmãs e eu nunca esquecemos a letra e  quando cantávamos, era dele que lembrávamos...

24/01/2017

Compras e insatisfação cristã

Sabe aquela sensação que você tem quando chega em casa depois de perfeitas compras e faz aquela cara de "ai que saco"?!
Eu sou assim. Na hora da compra é a maior empolgacao, saio da loja toda feliz, mas com o tempo, até chegar em casa e desempacotar tudo, a alegria vai sendo enrolada como as peças, devagar e melancolicamente. E vai caminhando para algum lugar desconhecido e vazio, até que desaparece. Então, uma onda nostalgicamente solitária, toma o seu lugar no peito, surgindo uma falta de alguma coisa que... só vai se completar, na próxima compra.
É uma bola de neve. Não gosto de pensar que compramos por insatisfação, mas parece que há comprovações quanto a isso, não é?!
Será verdade que quanto maior a insatisfação, maior é o desejo de consumir, a fim de se preencher um sentimento de vazio interno? Não sei se concordo inteiramente com isso...

Mas deve ser verdade. E assim, lá vai se formando o povo consumista e cheio de dívidas. E cheio de dívidas, lá vai o povo consumista, consumir...

Certa vez, um amigo me disse que compra várias coisas para sua casa, mesmo estando muito endividado, por que, se não compra, não tem nada e os vizinhos e família, reparam. Mas, isso não é contraditório demais? Porque ele compra se não pode comprar? E para quem ele realmente compra? Para si ou para os olhos e curiosidade dos outros? Qual é a graça de se estar o ano todo, cheio de dívidas?

Sobre a insatisfacao pós compra, eu ainda sinto isso, mesmo não me sentindo realmente incompleta ou insatisfeita. Desde que passei a andar com Deus, muita coisa foi posta em ordem na minha vidinha e o vazio enorme que havia, foi preenchido. Mas ainda percebo isso, talvez agora mais fortemente que antes, quando compro qualquer coisa. Quando estou em casa com a última aquisicao,  eu me pergunto: precisava disso mesmo? E a resposta obviamente, é sempre a mesma: NÃO! E o pior é quando eu não compro. Por exemplo, uma roupa: Fico doida para levar, mas finjo ser mais forte que ela. Saio da loja, mas aquela peça maravilhosa, que ficaria perfeita com aquela outra que tenho em casa, não me sai da cabeça! E isso pode durar semanas, até que eu pare de resistir e volte lá para comprar.
Que horror!
Sério, não me sinto bem com isso...

Quando compro, fico feliz e o caminho para casa com a comprinha debaixo do braço é mesmo legal. Mas, basta chegar em casa para notar o quanto essa alegria dura pouco, tao passageira quanto o que o resto das coisas deste mundo é. Que estranho não? Aquilo que pensamos ser o motivo de nossa felicidade e satisfação, é só mais uma ilusão curtíssima e "passageiríssima". Uma vez que sabemos: essa alegria da compra não vai durar muito! A nova peça do guarda roupa, em breve, será colocada de lado, porque a moda muda, porque você muda, porque você se arrepende da compra quando experimenta novamente, porque só agora notou  que a cor não combina com seu tom de pele, ou que na verdade, já tinha uma igualzinha no guarda roupa, etc, etc, etc.

Para desapontamento comigo mesma, que adoro esbanjar no orgulho, dizendo que tenho poucas coisas, estou numa fase consumista demais. Mesmo acreditando que seja por causa da estacão. Aqui é inverno, e estava precisando de uns pulôveres novos, mas de um pulôver, passo para um cachecol, de um cachecol a uma touca, depois, para camisa, e como amo camisas, vou precisar de uma rosa, uma branca, outra preta... enfim.

Mas pensar na brevidade das coisas e de como a moda passa, deveria nos levar a pensar também sobre a vida. Queremos mesmo, carregar uma mala pesada, pelo resto de anos que teremos pela frente?  O que realmente nos importa? Coisas ou pessoas? O aqui ou o que vem depois?

Pensar em insatisfacao e consumismo, vale também para as coisas espirituais. Porque ficar procurando satisfacao em livros, videos, palestras, teorias da conspiracao, enfim, coisas que nos  afastam do Senhor, mesmo tendo em si, a propaganda enganosa, de nos aproximar dEle? Que tipo de preenchimento Deus ainda não trouxe a nossa vida, que precisamos procurar em outros lugares? Que tipo de fé é a nossa, que ainda não teve satisfacao em Cristo, somente? O que a gente realmente quer? Que Cristo venha? Então, por que procurar saber quando é que o tal do anticristo surgirá? E porque é tao importante falar mais desse último, do que do realmente, Primeiro?! Por que ficamos à procura de profecias, sonhos e visões, se temos tudo na Bíblia?
Porque somos tao "religiosamente- consumistas????

Sei lá. Isso foi só uma reflexão pra mim mesma...

***
"Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito". Eclesiastes 1


06/01/2017

The woman in black

Ela tem a pele bem maquiada, com uma base super potente, e os olhos pintados de forma carregada. Os cílios muito longos e muito falsos. Usa sombra forte, e escurece e engrossa a sobrancelha de uma maneira quase perfeita. Ela fica linda com toda essa extravagância, confesso. Algumas vezes, ela usa lentes coloridas, nuns tons de verde ou azul que combinam com sua pele, que por sinal, é muito pouco vista. Às vezes, só posso ver o tom da sua pele, imaginando-o, fazendo minha fantasia criar a cor. É difícil ver a pele, embaixo de tanta maquiagem e panos, já que seu suposto belo rosto, está quase todo coberto. 
Nao é uma burqa cinza e suja que ela usa, apesar de que pareça muito com uma. Mas um pano preto, a niqab, que cobre seu rosto por completo, e que algumas vezes, tem uma pequena linha vertical que separa seus olhos, e que prende a base do nariz, ao início da testa, como uns óculos. Fica estranho. E quadrado. 
Foto Tumblr

Observo-a comer num restaurante. Algumas vezes, ela come por dentro do pano, algumas vezes, levanta discretamente o pano por cima da cabeca, como se fosse um capuz, mas isso é mais raro. 
É discreta, diferente dos filhos, que parecem fazer tudo o que desejam, principalmente, se forem homens. 
Ela passa por mim e me olha. Ela quase sempre me olha. Quando nao tem o rosto todo coberto, posso ver um discretíssimo sorriso a mim direcionado, mas nao sei se esse olhar sorridente é de encanto, de inveja, ou superioridade. Mas sorrio discretamente de volta. Nunca olho para os homens, tenho medo deles... Às vezes, vejo dela, um olhar severo, mas geralmente, esse olhar, nao vem com sorriso. E nao olha para mim diretamente. É um olhar quase arrogante, ou de pena, e de uma autoridade me corrigindo. "Pobre mulher ocidental!" Eu tenho pena dela, e ela, de mim. Diz que eu sou vítima, quando eu penso que ela é quem é. Ela me vê como vítima da sociedade em que vivo, porque meu corpo é visto por todo mundo, e eu a considero vítima, por deixar, obrigatoriamente,  que só seu marido veja as roupas caras e chiques que ela compra. 

Na loja, me pergunto, para quem afinal, ela compra tanto, se, em todo lugar que vai, a roupa que veste está coberta por aquele monte de pano preto? Só quem a vê vestida com as roupas novas, sao seu marido e filhos? E quando ela vai a uma festa, ninguém pode vê-la vestida com suas marcas caríssimas? Sei que ela pensa o mesmo de mim: "essa pobre mulher, compra para os outros verem. Eu compro para mim e para meu marido somente". Me pergunto a mim mesma, quem é a pobre mulher, afinal? Quem é a vítima?
A vejo caminhando pelos corredores do shopping center, carregada de muitas sacolas, três ou quatro filhos e o marido do lado. Ele a acompanha em toda compra. Ela vai ao provador, que aliás é o único que vi na vida, totalmente fechado, de cima abaixo, e sai para ele ver, e espera sua aprovacao, mas isso, somente, se ela for menos rígida. A maioria, nem experimenta as roupas que compra. No meio da loja, ela lhe mostra algo, ainda no cabide, ele olha tudo, tecido, comprimento, transparências, examina com cuidado e diz com um balançar de cabeca, se aprova ou nao. E ela compra, ou nao. É ele quem decide tudo! Nessa hora, agradeco nao ser ela, detesto comprar coisas com outras pessoas. É a minha opiniao, e o que vejo no espelho sozinha, que valem.  Mas nao deixo de admirar esse momento "romântico" entre eles dois, num país onde a homens e mulheres, nao é sequer permitido, andarem de mãos dadas em público!

Nao me agrada, porém,  ver como ela quase nao consegue se sentar à mesa com tranquilidade. Rodeada de filhos, vestidos de roupas iguais, inquietos e sempre famintos, com um marido de óculos escuros, barbado e metido a sultão sentado ao lado, ela fica para lá e para cá, servindos-os: vai buscar seis ou sete paezinhos e croissants para os filhos, o café e o pao para o marido, busca o chá, vai e volta uma dezena de vezes, sozinha, e quando se senta, tem que fazer o malabarismo com os panos, e o outro filho já quer mais suco e o marido pede mais café, e outro omelete. E ela se levanta novamente. Ele, o sultão, o califa, o sheik, fica lá, de cara para o sol, enchendo a barriga e dando pequenas ordens aos moleques. E ela, ah, ela mal se senta...

Na praia, ela vai toda de preto, obviamente. Essa deve ser a parte prática da coisa, é sempre a mesma roupa! O marido, fica só de bermuda, de peito hiper peludo, orgulhoso como um pombo, com sua barba bem feita, sorriso de orelha a orelha, até que me enxerga, e fica sério. E olha que estou com roupa normal na praia, me recuso a usar um maiô ali.  Ele vira de lado, com arrogância. E ela, a mulher de preto, entra na água - o que é muito raro - com todo aquele aparato de tecidos, e sai respingando água salgada, e fica esperando secar ao sol, como um pássaro negro, os panos sacodem ao vento como asas, que torço discreta e silenciosamente: bem que ela poderia voar... A areia gruda na roupa, que está enxarcada e parece nunca secar. Tenho pena dela. E ela tem pena de mim... eu sei! Eu noto quando ela passa por mim em direcao ao banheiro, que é separado para homens e mulheres, em construcoes diferentes e distantes entre si.      
Lembro dela quando ouço o guia turístico explicando sobre o verão. - Veja, os carros sao na sua maioria em cores claras, muitos, muitos carros sao brancos por causa do sol. - E eu penso nela, sempre vestida de preto, mesmo no escaldante verão de 49 graus! Os carros sao brancos, as roupas dos homens são brancas e ela.... always in black! Digo ao meu marido que se fosse homem, naquele país, só usaria a roupa tradicional. Como eles ficam lindos e esbeltos naquilo! Mas ela deve estar sempre de preto, nao importa o tempo lá fora. Certa vez, um egípcio me contou que as mulheres usam preto, por que essa cor é vista facilmente no deserto, e se uma mulher for atacada, ela pode pedir socorro, sendo vista rapidamente. Que estranho! De preto, no deserto, ela também será atacada por ser vista mais facilmente. Ou não? Mas, espere! Nós nao estamos no deserto agora! Mas, sim, no meio de prédios altíssimos e reluzentes, em meio a carros chiquérrimos, lojas caríssimas e pessoas milionárias! E ela ainda em preto, toda coberta, como se fosse uma nômade numa tempestade de areia...
Usa, inclusive,  algumas vezes, luvas pretas, sapatos pretos fechados e por cima dos panos, óculos escuros. Mas algumas vezes, nao! Ela usa sandálias altas e com strass,  jóias caras nas maos e bolsas elegantérrimas, de estilistas famosos. É linda, mesmo tendo uma cabeça como a do ET, de Spielberg! Imagino seus cabelos muito longos, que só o marido e filhos podem ver, presos num coque, coberto com os panos pretos, e a imagino entrando num salao de beleza, que descobri existirem escondidos, quando a funcionária de uma loja me disse, quase cochichando, que ali no shopping havia um, mas que só poderia me levar em segredo. Foi só ai, que comecei a ver na cidade, vários saloes de beleza, cobertos com um tipo de insulfime, onde ninguém pode ver o que acontece lá dentro. 
Enquanto isso, os saloes masculinos sao totalmente abertos, iluminados e totalmente envidraçados.

Sim, os homens parecem seres iluminados. Ela, por sua vez, parece, a meu ver, viver na escuridão, ludibriada pelo brilho do ouro e pedras preciosas. Mas, é a mulher de preto, quem diz ter pena de mim. E eu, constantemente, oro ao meu Deus, por ela: retire o véu Senhor, retire o véu que a impede de enxergar!


***

Observacoes minhas, de várias mulheres de preto, em Dubai

"Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens"

22/11/2016

A crente e a roupa

Poucos meses depois da minha conversão, estava no Brasil de férias e entrei num elevador, num prédio antigo em Copacabana. O ascensorista (ainda existem em alguns prédios no Brasil!!!) que era um homem muito simpático e dono de um sorriso daqueles que contagiam, me perguntou, após ter conversado o pouco que é possível conversar do térreo até o décimo primeiro andar,  se eu era cristã. Respondi que sim, também toda feliz e com uma pontinha de saudável orgulho (existe isso?). O seu  sorriso se abriu de forma ainda mais bonita e ele disse que eu tinha mesmo, cara de cristã. Falou algumas coisas sobre sua igreja e eu logo tive que descer. Achei uma pena, pois naqueles dias estava muito maravilhada com as coisas que estavam acontecendo a minha volta desde minha conversão e adoraria conversar mais com ele sobre as maravilhas do Senhor. E porque é sempre tão bom encontrar irmãos! 

Saí do elevador e fiquei achando engracado ele ter notado. Acho que eu mesma, com minha minúscula mente preconceituosa, nao teria pensado isso de mim mesma se medisse a minha fé, pela roupas que estava usando. Era um dia quente no Rio, e eu estava com uma blusa meio decotadona e tinha um batonzão laranja na boca, uns brincos espalhafatosos. Além disso, no andar em que desci, em frente ao apartamento que alugamos por uns dias, havia um centro espírita, então, eu acho que não havia muito no meu exterior, que indicasse minha crença. Mas aquele senhor não era eu e ele me reconheceu como sendo uma irmã dele!
Só fui entender aquele senhorzinho e sua alegria, meses depois daquela quente tarde carioca. Não é a roupa, ou como arrumamos nossos cabelos, ou que tipo de maquiagem usamos, ou se nao usamos, que faz uma crente. Mas o quanto de Cristo está sendo formado em nós!

Independente disso, cristãos reconhecem cristãos. Talvez nem sempre, mas há algo de muito especial quando nos encontramos. Há alguns dias, reencontrei uma  antiga colega de escola. Não nos víamos há muitos anos e eu não era realmente sua amiga. Na verdade, o jeito meio perua dela, não condizia com meu jeito hiponguinha de ser naquela época e isso talvez, nos afastasse. Mas, agora, ao nos reencontrarmos, notei o quao feliz fiquei em revê-la, e no meio da conversa, descobrimos que ambas somos agora, cristãs! E que coisa boa é quando encontramos pessoas que tem a mesma fé que nós! Agora, apesar de continuarmos diferentes no estilo de ser e de viver, temos uma coisa grandiosa em comum: O Nosso Salvador!!

Há uma frase que amo e já disse aqui no blog: "o cristao nao tem alegria, é a Alegria que tem o cristao" e isso me faz lembrar aqueles crentes de antigamente, de quando eu era crianca. Será que você viveu o que eu vivi? Eu sempre estive rodeada de cristaos, mas nao via neles nada muito alegre. Parecia-me na verdade, que todos eram chatos, rabugentos, metidos a certinhos e amedrontadores, quando comecavam a falar da Bíblia. Certamente eles tinham outras qualidades, mas eu só os via assim. E foram eles, que coitados, sem perceber, me fizeram fugir de Cristo.
Mas, nao sei, nao posso afirmar, mas talvez eles nao fossem realmente convertidos, ou talvez, mais acertadamente, eu que nao fosse capaz de enxergar além do véu. Mas também é verdade que o cristao verdadeiro, mesmo que esteja passando por grandes tormentas, tem Alegria!  E é sobre essa Alegria que gostamos de falar quando encontramos irmaos, que creem no que cremos, que amam Aquele a Quem amamos e que sao gratos pelo que o Senhor fez por eles, por nós.

Obviamente, essa Alegria vem à nossa frente e nos faz nao olhar a roupa que o outro está usando, mas também é fato que a roupa fala muito sobre quem somos. Isso nao se pode negar! Sei que a mulher brasileira é por natureza, exuberante nas suas formas e acha que quanto mais colada ao corpo, melhor aquela peça lhe parece, já que ela tem uma tendência a sempre querer mostrar o corpo, e acha que roupas mais larguinhas envelhecem, ou engordam. Mas há que se ter nocao do que vestir.

Às vezes, vejo as crentes, ou que pelos menos assim se autodenominam, em algumas fotos e nao acredito no que meus olhos veem. Nao consigo imaginar como tal irmazinha pode considerar normal usar roupas tao absurdamente coladas aos corpo, ou que mostrem tanta pele, tanto peito e tantas formas: as calças são muito justas, as blusas coladas ao corpo, os decotes enormes, a sensualidade muito exposta e exagerada! Fico pensando comigo mesma: Será que o Espírito que mora naquele corpo nao dá sinais de que algo está errado na forma como ela se veste?

Será que Ele fala? Será que ela escuta? Será que Ele já teve autorizacao de fato, dela, para entrar em todos os espaços naquela alma e assim, se fazer ser ouvido?

Você não tem que ser nem 8 ou 80!
Quando a gente é carnal demais, nosso espírito fica um tanto surdo a voz do Espírito Santo de Deus... roupa extremamente colada, curta, justa, apertada, nao é somente feio e passa uma imagem barata e ruim de você, ela também fala mal de você como cristã, aos olhos do mundo, e te faz igual ao resto que está ao seu redor. Você é resto?

Está certo que eu, no lugar daquele homem no elevador, me julgaria uma nao-crente. Está certo que aquele homem, viu além. Mas, sabe? Depois daquele dia, eu nao consegui mais usar roupas justas ou decotadas em excesso. Nao somente porque estou mais velha, ou por que achei que ele poderia pensar mal de mim, é simplesmente que amadureci nas coisas do Senhor e descobri que às vezes, Deus usa determinadas situacoes para nos mostrar onde Ele quer que mudemos. Basta estarmos atentos e com boa vontade de fazer o que Lhe agrada.

Nem é questao de preconceito ou de exibicionismo: - ah, nunca mais vou passar batom, vou usar um saião e cabelão no pé! - diria você, já com raiva de mim - essa Nina velhota e crentona!
Mas, nao é isso! Assim, você estará sendo somente uma orgulhosa, se mostrando melhor que aquelas coladinhas ali... mas é uma questao de respeito e obediência ao Deus que nos salvou,entende? 

***
Na dúvida, pergunte em oracao ao Seu Senhor, como você deve se vestir; se há algo que Ele gostaria que você mudasse, uma vez que nao existem regras claras para isso, mas existe sim, um padrão... e este nao está nas academias de ginástica ou nos bailes funk  ;-) 

21/11/2016

Meu querido pé de manga

Na casa em que morávamos, quando eu tinha onze anos, havia cinco mangueiras. Cinco dessas maravilhosas criaturas num mesmo quintal, dá pra acreditar?! Como éramos cinco filhos, cada um tinha a sua árvore. A minha era a mais velha de todas, ficava entre as duas jovens e robustas mangueiras das minhas irmãs, que tinham a idade mais aproximada da minha. 
Havia dias em que subíamos, cada uma na sua árvore, e ficávamos chupando manga e conversando, lá do alto. Podiamos ver as criancas correndo na rua, nossos irmaos menores brincando no quintal, nossa mae estendendo roupa no varal, o cachorro latindo atrás de um gato, o brilho ofuscante do fusca na garagem, as folhinhas verdes  do nosso pequeno gramado, o vermelho vivo dos nossos hibiscos encostados ao pequeno muro, e as mangas que caiam em cima do telhado, tornando-se cada vez mais amarelas, manchadas com uns pontos amarronzados. O que nos causava dó, desperdício de mangas! Às vezes, subíamos através dos galhos da minha árvore, até o telhado, para salvar aquelas mangas maduras, quebrávamos telhas e nos dias de temporal amazonense, quando alguma goteira era notada, mamae descobria nossa traquinagem.  

A minha mangueira também era a que mais gostosas mangas produzia, e a que mais lagartas de fogo tinha. Éramos atacadas, quase todo dia, por aquelas terríveis monstrinhas rastejantes, mas elas nunca foram capazes de nos afastar de nossas árvores queridas. Tínhamos muita vontade de fazer um balanço, mas seus galhos nao nos davam muita garantia de que nos aguentariam, além disso, eram muito altos. Havia dias também em que eu conversava com ela, tentando fazer dela minha melhor amiga, assim como o Zezé fazia do seu pé de laranja lima, meu livro preferido naquele tempo. Prometia que escreveria sobre ela um dia, assim como aquele escritor fez, e desde que me lembro do prazer da escrita, minha árvore nunca foi esquecida.

Nao dá para esquecer as lembrancas daqueles dias quentes da infância, trepada numa árvore tao frondosa, com suas folhas longas e tao verdinhas, sentindo o cheiro maravilhoso de manga, naquela Manaus do início dos anos 80, de gente colorida, como as fotos que vejo hoje, com filtros falsos, mas que sao exatamente assim, na minha memória nostálgica. Tempo de descobertas, de namoradinhos, de música lenta, de amizades verdadeiras, de escola nova a cada dois anos, de brincadeiras na rua, de bolas, patins e bicicletas, de banho de rio, de vó ainda por perto.

Abracada a minha árvore, eu tocava nas suas frestas ásperas ao longo de seu caule, sentia seu cheiro e queria ser forte como ela. Eu, que sempre fui tao pequena e frágil, ressentida e calada, a mais boba das meninas, tinha nela, uma amiga poderosa e forte. 

Quando mudamos de casa, nos abracamos, ainda me lembro disso, minha mangueira e eu. É forte e terno o abraco de uma árvore! 

Morar na Vila Militar foi o maior privilégio, uma pausa refrescante numa infância quente, cheia de alegrias e muitas dores. O lugar mais incrível em que já vivi! Mas já era hora de mudar dali. Estávamos crescendo, a maioria dos nossos amigos já havia mudado, com excecao do Macedinho, que também logo mudaria, e que na despedia, me deu uma cartinha meiga e doce, como ele sempre fora comigo.  

Certo dia, quando minha filha mais velha tinha cerca de oito anos, e eu mais de trinta, paramos, minhas irmãs e eu, em frente a nossa velha casa. Ela estava levemente diferente, e parecia bem menor do que era na nossa lembranca. E eu chorei. A nova dona da casa nos viu, olhando curiosas por cima do murinho. Soube que tínhamos morado ali, e nos convidou a entrar um pouco. 
Extasiadas, entramos, olhamos a varanda de piso vermelho, onde escorregamos tantas vezes de barriga no sabão, vimos o jardinzinho, as mangueiras, o quintal, e olhamos a cozinha de longe, onde tantas vezes víamos nossa mae cozinhando. Tudo era tao mais bonito antigamente...

Nao lembro hoje se acenei para minha mangueira, nem mesmo sei dizer se ela ainda estava ali, e se nao o fiz, posso dizer que sinto muito. Sei que minha infância, foi marcada por ela. E se tivesse que ter um aroma, seria o de manga. Mas também seria o de jasmin ou seria de lavanda? Como posso ter esquecido qual era o perfume preferido da minha avó?! Sei que também havia um sabonete na sua penteadeira, o alma de flores... e as florzinhas de jambo embaixo da árvore que formavam um belo tapete cor de rosa, ou o cacau quando se abria depois de umas marretadas, ou a polpa suculenta do cupuaçu sendo cortado por nós, para fazer suco ou um creme gelado...        


Foto: Nirley Sena
A vila militar, há poucos anos, e as legendárias mangueiras

07/10/2016

Veneza

Nao há muito o que eu possa falar sobre Veneza, logo,  as imagens falarão por mim.
Além disso, tenho escrito tantos longos textos, que acho até melhor ficar calada neste post ;-)

Um pouquinho das muitas belezas de Veneza, no verão europeu:


















Fotos: Nina Sena.

02/10/2016

Contadora de histórias e a vida real

Gosto de contar histórias. Acho que por isso, me agrada tanto escrever e porque ainda nao parei de uma vez por todas, de postar neste blog, mesmo em tempos de facebook, twitter, e tantos outros recursos de mais rápido retorno.
Mas, como eu há tempos, nao espero retorno de blog, to na boa...

Tive uma maravilhosa infância cheia de amigos sensacionais e muito criativos, que povoavam minha meninice, de forma quase mágica. Tal mágica me fazia esquecer os problemas comuns da infância e quase que viver num mundo à parte. Quando meus filhos eram pequenos, eu criava historinhas para eles dormirem: - quanta maluquice cabe na cabeca da mamae! - imagino-os pensando.
E acho que isso os contagiou também. Hoje, ambos, tem uma imaginacao daquelas! E o pequenininho segue os passos dos irmaos.
Mas toda a minha vida de histórias encantadas, nao se compara em nada, com a vida que levo hoje. Nao por ser uma linda, inteligente, gentil e louca criatura, uma feliz dona de casa, ou por ter um marido maravilhoso, por ter bons filhos, lindos e inteligentes, por viver num país tranquilo na europa que amo, ou por fazer viagens incríveis! Nao!! Esta é a vida que todo mundo vê. Mas, é a minha vida em Cristo que me faz internamente, pular de alegria e satisfacao! Pois, viver com Ele e nEle, é a melhor coisa que alguém pode querer nesta vida.
Não há nada mais que eu queira, a nao ser, Ele! Como diz em Cânticos "Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu..."

Só uma coisa ainda me entristece: tantos que amo, ainda nao terem essa alegria que a pessoa de Cristo nos dá. 
Entre elas, estao meus sogros.

Eles moram cerca de seiscentos quilômetros de nós, e há tempos, imagino o dia em que poderei sentar com eles e falar do amor de Cristo. Mas este é um tema do qual eles fogem, como foge o diabo da cruz, como o povo gosta de falar. Sempre que estou com eles, fico me cobrando um momento em que vou poder encaixar o tema Deus, mas esse momento nunca, nunca, nunca chega. Por causa disso, sempre saía triste e decepcionada de nossos encontros.
Mas isso nao ocorre mais,  desde a última primavera, em que estive em sua casa.
Deixa eu contar a "historinha":

Estávamos por quase quatro dias na casa dos meus sogros, que sao assumidamente, ateus. Nesses dias todos, eu, que me cobro sempre por me sentir tao burra e despreparada, espiritualmente falando, estava toda tristonha, mas nao sabia por qual motivo. Já estava quase na hora de partir de volta pra nossa casa, e eu estava no banheiro, arrumando o cabelo. Me ajoelhei e chorando, comecei a falar com Deus, pedindo desculpas a Ele por ser tao tola, tao fraca, medrosa, por  nunca conseguir achar um momento pra falar dEle com ninguém. Até que, "do nada" e de repente, foi dando uma esquentada no meu sangue, senti meu rosto queimar, limpei as lágrimas delicada mas energicamente, levantei do chao frio do banheiro e com intrepidez, fui descendo as escadas. Meus passos iam sendo ouvidos como se estivessem num eco eterno, em pequenos estrondos, me levando certeira, até a sala, onde estava minha sogra, observando pela porta de vidro, meu filho brincando com o avô no jardim. 

Fui em sua direcao, a peguei pelo braço, a fiz sentar no sofá e falei com voz firme e de novo, com lágrimas nos olhos: Renate, eu tenho estado triste todos esses dias, porque sou uma fraca, fico triste quando vejo que nunca falo com vocês sobre meu Deus, triste quando vejo que Ele nunca pode estar nas nossas conversas, quando treino com as paredes toda uma fala antes de encontrar com vocês e essa conversa nunca surge. Sei que vocês nao acreditam nEle, mas quero que saiba, que Ele existe e os ama muito, muito mais do que vocês possam imaginar!

Parei de falar, porque já nao conseguia prosseguir.

Ela estava chorando enquanto me ouvia, disse que eles sabem da minha fé e a admiram, mas que eu nao podia forçá-los a crer. Obviamente nisso eu concordei, porque sei que quem convence é o próprio Espírito Santo de Deus. Conversamos um pouco mais e voltei ao banheiro para terminar de me arrumar...

Sei que aquilo nao foi uma evangelizacao, mas me trouxe uma paz indescritível, que até hoje trago comigo quando estou com eles. Eu falei o que o Senhor queria que eles soubessem! Só depois que subi as escadas de volta ao banheiro, entendi.

* * *
Nao escrevo sobre o Senhor porque quero convencer pessoas. Essa nunca será minha intencao, porque sei que nao posso fazê-lo. Escrevo porque sou melhor fazendo isso do que falando. Escrevendo, consigo ordenar meus pensamentos, diferente de quando falo, quando tudo fica meio embaralhado na minha mente. Nao é uma fuga, nao me escondo atrás de um teclado ou algo assim, é simplesmente, minha maneira de me expressar.  Escrevo sobre Ele, porque nao tenho real interesse em mais nada, e Ele é meu tudo!  Ele completa minha vida, meus pensamentos, meu coracao e mente. Estou "enamorada" por esse Senhor. E como a boca fala o que coracao está cheio... falo através das letras do meu computador, porque a boca ainda anda meio desgovernada...

Mas é preciso dizer que sim, tenho muita alegria, em dividir esse amor com você também ;-)

30/09/2016

Quando a luz entra

Como um cômodo sombrio, quando entra a luz através de uma porta que se abre, é assim que ficamos quando o Senhor vem morar em nós. E esse alumiar no nosso espírito, é tao rápido quanto a luz que entra no quarto. Deus nos „invade“ de forma rápida, e vai irradiando Sua luz por cada espacinho desse ambiente, antes tao escuro, triste, sombrio, assim como aquele quarto antes estava.
Há pessoas que pensam que ser cristao é viver com esse ambiente iluminado, perfeitamente limpo e arejado o tempo todo. E quando notam que nem sempre está tudo bem com esse cômodo, criticam, falam mal, acusam, mostram a sujeira apontando o dedo na cara de quem limpou, enquanto passam o outro dedo pelas superfícies, em busca de mais poeira, constrangendo o responsável pelo quarto.
A pessoa nao pode realmente entender que no crente há duas naturezas: o velho e o novo homem. É como um carro movido a gasolina e álcool (nem sei se isso existe), aperta-se uma alavanca, o carro utiliza gasolina, acabando-se esta, aperta-se de novo o botao, acionando o álcool. Só que na vida real, as coisas nao são tão simples assim. O crente nao pode se desligar do velho homem, deixando o espaco livre pro novo, até porque, eles vão estar juntos até o momento em que Deus dirá: basta, sobre para cá, filho! E o nao entendimento dessas duas naturezas, produz muitos cristaos desapontados, quando notam dar mais vazao ao velho homem, que ele ainda tem que carregar, se sentindo com menor valor que aquele outro irmao, tao espiritualmente "elevado"... É muito fácil julgarmos o que nao achamos tao espiritual nos outros. 

Certa vez, uma moça que se dizia minha amiga e testemunha de Jeová, perguntou, ao saber da minha conversao, se eu era 100% mansa durante todo o dia, se tratava todas as pessoas com amor, se tinha tranquilidade no falar, essas coisas, enfim, que pra ela seriam o fruto do Espírito.
Eu? Calma? Quem me conhece pessoalmente sabe que sou uma espoleta, falo rápido, vivo gargalhando alto, me comporto como uma idiota e palhaça durante quase todo o meu dia, nao temo parecer a boba da corte e pareço estar sempre ligada na tomada. Logo, quem me vê pensa tudo, menos que sou crente. Falei para essa amiga que gostaria muito de ser como ela esperava, mas que nao estava ainda no seu nível espiritual, e até, confesso me senti mal por nao ser como ela. Até o dia em que a via, junto com uma das suas amigas, mostrar quem ela era realmente debaixo de toda aquela doce serenidade: as moças viraram verdadeiras bruxas, com uma risada debochada, ao ouvir de mim que eu recusava o seu ensino, por que agora cria que Jesus era Deus (os testemunhas de Jeová nao pensam assim).
O que muitas pessoas nao entendem, é que, ao invadir com Sua luz um ambiente, Deus, através do Seu Espírito Santo, respeita o indivíduo que ali está. Ou seja, ao se converter, ninguém é obrigado a mudar seu jeito, sua vida, seu modo de ser, e de agir. Afinal, nao é preciso limpar o quarto para que a luz penetre nele, pois a luz entra independente de como esteja a condição do quarto, nao é mesmo?! A limpeza pode até ser feita posteriormente e devagar, e mesmo que seja limpo uma vez, tem que fazer a faxina de vez em quando. Entao, assim somos nós.
Nao somos perfeitos, mesmo sendo cristaos que amam ao Senhor e a Sua Palavra. Somos criaturas iguaizinhas a você, que me lê e ainda nao crê. Temos todos a mesma base, viemos do mesmo erro, somos frutos do pecado original, carregamos a mesma carga genética, mas em nós, dentro de nós, lá no nosso fundinho, há uma luz forte, poderosa, e que nao fomos nós que acendemos. Mas que nos tornamos, sim, responsáveis por ela, tentando através do relacionamento com Quem nos forneceu essa bencao da luz, mantê-la sempre acesa (apesar de que até isso, é Deus quem cuida!).

O legal de entregar nossa vida 100% ao Senhor, é isso. Deus faz tudo por você e isso nao é comodismo, é fé! Quando Ele disse: „Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas“ em Mateus 11:29, isso nao te comove? Ele diz, nas minhas palavras amalucadas: fica calmo, eu cuido de você. Nao estressa, nao se cobre tanto, confie em mim.

Portanto, irmaozinho em Cristo, fica na paz. Nao se chateie com quem te critica, com quem zomba de ti, com quem acha que você nao é tao „crente“ quanto deveria ser. Se você estiver de fato, com a luz acesa, sabe em Quem tem crido, nao sabe?! É isso o que importa, todo o resto, vira resto... olhe para Cristo e nao para dentro de você.
Deixe que disso, Ele cuida ;-)

29/09/2016

Verona

Entao, tu te vê andando por uma cidadezinha antiga, histórica, romântica, onde cada canto revela um desejo de ser fotografado. Onde tu, em cada virada de esquina, enxerga uma beleza escondida ou escancarada. Onde a cada passo, a tua cabeca vai se enchendo de histórias de amor, de encontros e desencontros, de felizes e tristes fins. Cada metro de chao, te leva em pensamento, a um passado onde tudo era mais bonito, pelo menos, na tua imaginacao teimosamente romântica. Vai flanando enquanto a pequena multidao vai te levando junto, mas sabe que está sozinha, no teu pensar. Tu estás lá, como antigamente, imaginando as pessoas que andaram por aquelas ruas, que usavam outras roupas, que olharam para aquelas mesmas construcoes. Nao deixa de pensar também, nas muitas vidas perdidas, escravizadas numa mentira de fé, numa perseguicao religiosa, num engano que perdura até hoje...
Mas é fato que tu gostas de andar por aquelas ruas, cheias de histórias pra contar. E que te deixam, leve e apaixonadamente, atordoada. 

Verona, a bela Verona de Romeu e Julieta, é assim...  
















Entao, chega na casa que teria sido dela... a casa de Julieta


Se foi ou nao verdade, realmente, nao importa, mas a varandinha ainda está lá. Tem que estar!

 E os chatos chicletes, e os cadeados de amor




E ela, Giulietta de Romeo!


Vontade de ficar mais tempo, de conhecer mais, de fotografar...

18/09/2016

Viagens, decepçoes, churrascos, Deus...

Quando se tem muito, é fácil perder o encanto com o menos. Se você está acostumada a ficar em bons hotéis, sempre chega à porta de um novo, com a certeza de que vai encontrar um lindo prédio, ótimo servico e quartos elegantes. No dia em que algo no seu plano de viagem dá errado, e você encontra um hotel diferente do que esperava, se decepciona.



O mesmo ocorre, se já habituou-se a viajar para lugares lindos. Toda vez que desce de um aviao, a sua expectativa é de estar em mais um belo lugar, assim como viu nos catálogos da sua agência de viagens. Caso contrário, sua estada será decepcionante, a nao ser que abra mao de suas exigências e passe a apreciar o lugar com outros olhos.
É muito desagradável para quem te acompanha numa viagem, ficar te ouvindo falar mal do lugar em que estao, e compará-lo o tempo todo com o anterior. 
O melhor mesmo, é saber viajar, com menos dentro da mala e na cabeça. 
É que é muito fácil perder o encanto da coisas inesperadas, e nao reconhecer as belezas encondidas de um recanto, sabe?! E com isso, acabar nao sendo grato.


Esse é o tipo de coisa em que eu me vigio constantemente.. Viajo bastante e sempre para lugares bonitos, com belas paisagens e boa comida, mas, todas as vezes em que algo nao é tao belo assim, me sinto na obrigacao de me beliscar, para acordar e me despertar pro mundo real. Principalmente, pra me lembrar de onde eu vim, da simplicidade da minha vida anterior, aquela em que, pus os pés a primeira vez num aviao, aos 19 anos e nunca soube o que era viajar de férias na infancia!

Esse policiamento, das minhas próprias exigências, me ensina. Fica mais fácil relaxar e aproveitar a viagem, mesmo que ela nao seja como desejei. E preciso mesmo me cobrar essa demonstracao de mais ternura pelas coisas a minha volta! Exatamente como quando meu marido, após preparar um churrasco aqui em casa, me olha e pergunta, TODAS AS VEZES, se está bom. Eu sei que sempre o decepciono com minha resposta negativa, mesmo que atualmente, eu já nem mais responda com palavras.



Ele me conhece, sabe quais sao minha reacoes,  mesmo quando as tento disfarcar. Ele sabe que nao está bom pra mim, mesmo que pra ele, a carne esteja ótima. Explico: carne bovina aqui na Alemanha, nao tem o mesmo sabor da carne no Brasil. Eles até tentam melhorar, enchendo-a de molhos e temperos diversos, mas a carne brasileira (ou diria, a sul americana), só pra ostentar com o resto do mundo, basta sal grosso e pronto. É imbatível!

Meu marido procura, há dez anos, agradar meu exigente paladar para churrasco, faz caras e bocas para me provar que finalmente, achou algo perto do sabor brasileiro, mas nunca me convence! Ele fala que sou mimada, mas ao mesmo tempo reconhece que sei o que é uma boa carne (na verdade, nao sei, apenas sinto o que é bom ou  nao, numa carne, porque tenho bons parâmetros - afinal, cresci num país produtor de boa carne bovina).


Entao, tenho que treinar obrigatoriamente, a gratidao, quando disfarço a decepcao com aquele "sabor de nada" da carne alemã, tento aceitar que nao existe melhor do que isso por essas bandas, e tento reconhecer nem que seja, um fiapinho de coisa boa ali, só pra agradar meu bom marido. Assim, como tento também, me adaptar e aceitar, que aquela pousada simples, tem uma cama bem confortável, ou que aquela cidade suja, pode ter um povo simpático, aquele restaurante simples, tem o mais limpo banheiro que meus olhos já viram, e aquela praia feia, de areia marrom, tem a água mais morninha e as ondas mais calmas pra meu filhinho brincar. Tudo é uma questao de aceitacao da realidade, de menos expectativas, e também de ter mais paciência. Segurar mesmo a língua, sabe?! A vida fica menos complicada agindo assim.

E sei que é difícil encarar as coisas desse modo. Porque, verdade seja dita, é muito fácil para nós, principalmente mulheres, ficar reclamando de tudo, fazer cara feia, resmungar.
Já reparou quando você sempre tem um dinheirinho na carteira, ou o aval do seu marido, para comprar o que quiser? Nesses termos, vocês estao sempre num ótimo estado de ânimo e se tratam apaixonadamente, mas se algo ocorre, e sua conta bancária comeca a sinalizar problemas, já notou  como sua relacao com seu marido também balança? Que injustos e ingratos, somos uns com os outros, sempre dependentes de coisas exteriores pra estarmos bem...



Isso tudo me faz pensar na minha relacao com Deus, mesmo que aparentemente, um tema nao tenha nada a ver com o outro. Por que será que as pessoas sofrem? E porque será que as pessoas quando sofrem, se aproximam mais de Deus? Por que, quando estao bem de novo, se afastam? E por que existem pessoas que só estao de bem com Deus, quando suas vidas estao indo de vento em popa, mas que se afastam chateadas, quando tudo comeca a desmoronar?
É facil, afinal, dizer que ama a Deus, quando sua vida está ótima, nao é?

Será que as pessoas tem expectativas que acreditam, Deus pode solucionar? Mas, se for esse o caso, porque entao ficar nesse vai e vem com Ele? Ora, se Ele é capaz de fazer tudo para você e cuidar da sua vida em todos os aspectos, porque ficar longe dEle em momentos distintos, e nao, "para sempre e para o que der e vier"?
Fato: As pessoas perderam o encanto por Deus, assim como às vezes, perdem o encanto pelas coisas simples! E perderam, porque O ligaram a papai noel. Se Ele der, elas ficam felizes, se nao der, ficam tristes, decepcionadas, distantes, como criancinhas birrentas na noite de natal, quando nao ganham o que pediram.
Eu desconfio que, humanamente falando, Deus se decepciona com esse tipo de pessoa, assim como meu marido se decepciona com minha reacao frente ao seu churrasco sem graça, que ele tanto se esforcou em fazer pra me agradar! 
Efetivamente falando, é claro que Deus nao se decepciona com absolutamente ninguém, porque Ele sabe de que material somos constituidos, mas é bom para nós mesmos, imaginarmos que sim, nossas expectativas estragam tudo e principalmente, esfriam nosso relacionamento com Ele, assim como esfrio a vontade de meu marido em fazer churrasco (na verdade, isso ainda nao aconteceu, mas temo pelo dia em que ele de fato, se canse e desista da procura-da-carne-perfeita-para-a-mulher-perfeita!..... ahã-- perfeita, SQN!)



Se Deus é real, e fez todas as coisas, que chato deve ser pra Ele, ver nossas reacoes diante das belezas que Ele fez para apreciarmos. Já pensou desse modo? Imagina que Ele fez aquelas montanhas, que envolvem como num abraço, aquele mar azul turqueza em frente a você! Daí voce suspira, boquiaberta, que lindo!! Faz mil fotos, de diversos ângulos, posta no Facebook, no Instagram, envia pra toda familia pelo WhatsApp, enfim... o mesmo faz com o hotel, ou com o restaurante, em frente ao seu prato decorado pelo chef de cuisine. Deus fica feliz por você reconhecer o que Ele te deu e como você reagiu bonitinho àquele presente. Daí, imagine-O vendo você voltando de viagem, fazendo cara feia pro marido, por ter que preparar um jantar, ou quando ele diz que terao que economizar um pouco mais e nao poderao fazer aquilo que tinham planejado. Ou como Deus fica ao ver sua reacao diante da casa simples, que é a única que vocês podem pagar, ou com um céu menos estrelado, ou uma chuva que cai acabando com um belo dia ensolarado, ou quando você simplesmente nao engravida, mesmo Ele te dando ótima saúde, ou quando você nao consegue aquela promocao no trabalho que tanto se esmerou em conseguir, ou quando aquela pessoa que você tanto ama, simplesmente vai embora.... entende o que digo?

Se Deus cuida de tudo, (e Ele realmente, cuida!), que triste a gente nao reconhecer esse cuidado mesmo quando as coisas dao errado.
Sabe, elas dao errado, aos nossos olhos somente, que sao muito terrenos e ignorantes, nao aos olhos dEle! Se Deus é perfeito, tudo o que Ele faz, o é também! Entenda e aceite o fato de que Deus sabe muito mais que você.




Quando você passa a entregar sua vida, 100% nas Suas maos, sem sentir medo, sem duvidar, sem desconfiar, a vida fica muito mais fácil de ser vivida. Até as dececpcoes sao mais sutis e menos dolorosas, e as reacoes de alegria, mais comedidas. Porque sabemos que tudo tem seu fim e que no fim de tudo, tem um Deus, que de tudo cuida.
Tente da próxima vez, enxergar as coisas por outro prisma e nao reclame de tudo, nao  se faça superior aos outros, nao faça cara feia para a vida. As pessoas a sua volta já tem coisas suficientemente feias pra encarar.

Como cristao, a sua existência aqui neste mundo tem o objetivo de exalar o perfume de Cristo. E esse perfume pode ser sentido por outros, estando sua vidinha, aos seus exigente olhos,  perfeita ou nao.


Fotos: Nina Sena - Córsega 2016